Estou grávida! Posso ir ao dentista?
Esta semana quem escreve é um grande amigo, Dr Vitor Ribeiro, que trabalha com pacientes especiais. Um profissional e amigo fantástico!
Vitor, seja bem vindo e sinta-se em casa!
*********
Meu nome é Vitor Ribeiro e sou Cirurgião-Dentista. Trabalho com pacientes especiais há 25 anos, tendo lecionado essa disciplina, na Faculdade de Odontologia da UNICASTELO em São Paulo, durante 10 anos.
Acredito que minha missão é de contribuir, com meus talentos e dons, para o desenvolvimento de pessoas e comunidades. Para mim, a vida é um palco onde procuro dar um show cada vez melhor a cada dia.
Contatos pelo email vitor.ribeiro@folha.com.br
- Doutor, eu tinha os dentes perfeitos, mas quando fiquei grávida, deu cárie, problemas na gengiva e dois ficaram moles. Passei muita dor de dente! Lembrei tanto do senhor… – me conta Maria, justificando o estado de calamidade pública na sua boca.
- Por que não me procurou? – questionei.
- Porque estava grávida, ué! – respondeu, como se eu tivesse perguntado o óbvio.
________________________________________
A história da Maria é muito parecida com a da maioria das gestantes que fogem da cadeira do dentista justamente quando mais precisam cuidar da saúde bucal. A evasão é resultado de uma crença popular somada ao instinto maternal. Crença de que o tratamento odontológico pode prejudicar o bebê.
Os rebentos nascem lindos, mas as bocas de suas mamães entram em colapso. Resta a elas o consolo de achar que isso faz parte da experiência de ser mãe, junto com as náuseas e os pés inchados.
Mas não fiquem tristes, queridas gestantes, trago uma boa noticia: ir ao dentista durante a gravidez não é perigoso. Na verdade, a saúde bucal é fundamental para uma gestação tranqüila e um bebê saudável. Para estimular as futuras mamães a cuidarem dos seus sorrisos, vamos esclarecer aqui as principais dúvidas delas em relação ao tratamento odontológico.
Anestesia – Felizmente, as anestesias locais usadas em Odontologia são seguras tanto para a gestante quanto para o bebê. Mesmo assim, o dentista tomará alguns cuidados na escolha do anestésico e na forma de aplicá-lo.
Radiografias – Podem ser feitas desde que se tomem algumas precauções, como a proteção da gestante com avental de chumbo e o uso de filmes mais rápidos. Sempre que possível evita-se fazer isso no primeiro trimestre, quando o feto está mais sensível a alterações genéticas provocadas por radiações.
Antibióticos* – São receitados em casos extremos, quando as infecções não cedem com drenagens ou curetagens. As penicilinas são as escolhidas, por agirem exclusivamente nas bactérias.
Analgésicos* – Indicados apenas quando não for possível eliminar a dor por outros meios, tais como a remoção da polpa dental ou a drenagem de um abscesso. O analgésico mais seguro é o paracetamol que pode ser administrado em qualquer fase da gravidez.
Antiinflamatórios* – Usados em situações muito especiais, como em cirurgias que não podem ser adiadas. Nesses casos, utiliza-se uma dose única de corticosteróide.
________________________________________
Um ano depois, recebo um telefonema de Maria:
- Doutor, quero marcar uma consulta.
- Está com dor de dente?
- Não! Estou grávida de novo!
* Não tomem medicamentos por conta própria!
Vitor Ribeiro














Comentários